Buenos Aires por Copolla

Grande referência cinematográfica da América do Sul, a Argentina desta vez serviu de cenário para o filme do consagrado cineasta norte-americano Francis Ford Coppola –  Tetro. A película em preto e branco mostra conflituosas relações familiares que envolvem Tetro (Vincent Gallo) e seu irmão Bennie (Alden Ehrenreich), que vai ao seu encontro em Buenos Aires após o navio onde trabalha ter atracado na capital portenha. Um dos pontos mais trabalhados no enredo é a rivalidade que se sobrepõe à estabilidade familiar.

A obra cinematográfica mostra uma Buenos Aires dramática e bastante peculiar. Um dos cenários contrastantes é a visão de um Caminito sem cor. Outro ponto turístico explorado na obra de Copolla é o tradicional Gran Café Tortoni, o café mais antigo de Buenos Aires inaugurado em 1858 e frequentado por nomes como Alfonsina Storni, Carlos Gardel e Astor Piazolla nos anos 40- período em que o país estava entre as 10 principais economias do mundo. 

Apesar da dramaticidade do roteiro, o filme apresenta uma pitada de humor ao mostrar o lado irônico e irreverente do comportamento portenho além de uma peculiar Buenos Aires.  

 Clique aqui para acessar o site oficial

Veja abaixo o trailer da obra:

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Mulheres bolivianas são tema de reportagem premiada

Desde 1978, o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos homenageia as reportagens de cunho social da imprensa brasileira. Neste ano, a história que relata o trabalho em condições insalubres de mulheres bolivianas em bairros fabris de São Paulo reportada pela jornalista Maria Laura Neves foi a vencedora na categoria revista.

O Ensaios Latinos entrevistou a jornalista que falou um pouco mais sobre os bastidores da reportagem publicada pela revista Marie Claire. Clique aqui para ler a reportagem na íntegra.

Ensaios Latinos: Como surgiu a ideia desse tema?
Maria Laura: Conheci um fiscal do Ministério do Trabalho em uma palestra sobre tráfico de pessoas e conversamos sobre o trabalho que eles estavam fazendo em confecções de costura, combatendo o trabalho escravo. Uma grande loja de departamentos tinha acabado de ser autuada por eles porque um de seus fornecedores usava mão-de-obra análoga à escravidão. Com base nisso, conversei com a diretora de redação da revista, que se entusiasmou em fazer uma matéria sobre o “lado sem glamour da moda”.

Ensaios Latinos: Quais foram as maiores dificuldades que você enfrentou durante a apuração? Chegou a ser ameaçada por alguém?
Maria Laura:
Uma das entrevistadas foi ameaçada de morte por um ex-patrão. Por causa disso, as entrevistas tiveram de ser feitas em ambientes neutros. Se ela estivesse sendo seguida, ninguém saberia que ela estava dando entrevista. Outra dificuldade é que as entrevistadas também não podiam contar em seus atuais empregos que estavam participando de uma matéria. Elas tinham medo de sofrer represálias. Por isso, a foto e uma parte das entrevistas tiveram de ser feitas em um domingo. Pelo mesmo motivo, eu também não pude ligar diretamente para elas. A Defensoria Pública do Estado de São Paulo e o Ministério do Trabalho intermediaram nosso contato durante toda a apuração. Mas não fui ameaçada por ninguém não.

Ensaios Latinos: Como foi a acessibilidade a essas fábricas? Você chegou a abordar as bolivianas nas ruas próximas aos locais de trabalho ou adotou outra estratégia?
Maria Laura: Cheguei até elas via Ministério do Trabalho e Defensoria Pública. Não visitei as fábricas até mesmo para não comprometer as entrevistadas, que só toparam participar da matéria sob sigilo e se tivessem suas identidades preservadas.

Ensaios Latinos: Quanto tempo de apuração foi necessário para produzir essa reportagem?
Maria Laura: Uns dois meses.

Ensaios Latinos: Qual dica você daria às mulheres antes de comprar roupas em São Paulo? Como é possível saber a procedência dos fornecedores de uma forma eficaz?
Maria Laura: É muito difícil saber que empresas se preocupam em rastrear a cadeia produtiva e suspender fornecedores que usem trabalho escravo. O uso de mão-de-obra escrava na cadeia têxtil não acontece apenas nas áreas urbanas e em confecções clandestinas como retratamos na matéria. As plantações de algodão precisam ser fiscalizadas, assim como as fazendas de gado, de onde sai o couro usado pela indústria brasileira e mundial. O único caminho, trabalhoso, é verificar se a indústria da qual você é cliente assinou o Pacto pela erradicação do trabalho escravo no Brasil (http://www.reporterbrasil.org.br/documentos/signatarios_pacto.pdf). O problema é que pouquíssimas empresas que fazem parte dessa lista. Além disso, são empresas industriais. Poucos varejistas são signatários do pacto.

Ensaios Latinos: Existe algum perfil das mulheres bolivianas que trabalham nessas fábricas?
Maria Laura:
São mulheres de todas as idades, de várias regiões da Bolívia. Em comum, as péssimas condições de vida na Bolívia e, posteriormente, no Brasil.

Ensaios Latinos:
Você entrou em contato com algum dono de fábrica de roupas?
Maria Laura: Não. Ficamos com medo de que eles partissem para cima das entrevistadas depois que publicássemos a matéria.

Ensaios Latinos: Além das bolivianas, existem mulheres de outras nacionalidades envolvidas nesse regime de escravidão?
Maria Laura: Sim, paraguaias. Mas são essencialmente bolivianas.

Ensaios Latinos: Você sempre teve uma inclinação para matérias de cunho social? Qual foi a sensação ao ver o resultado final da reportagem?
Maria Laura: Eu gosto muito dessa temática, sim, embora já tenha trabalhado com vários outros assuntos. Escrevei e reescrevi esse texto muitas vezes, pedi a opinião e ajuda de colegas. A última vez que reescrevi foi no dia em que a matéria desceu para a gráfica, numa correria absurda. Li o texto final com uma sensação de alívio, de ter terminado o trabalho a tempo. E como não leio nenhuma reportagem minha depois de publicada, foi uma surpresa saber que ela tinha sido premiada.

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Canal do Panamá completa 97 anos: conheça a história por trás da construção

Nesta semana, a inauguração do Canal do Panamá completou 97 anos. Em grande parte da mídia brasileira não se ouve muitas notícias positivas sobre a América Central: o continente torna-se foco dos diários em sua maioria durante desastres naturais e epidemias. O que poucos sabem é que o Panamá abriga uma das mais expressivas obras da engenharia do século XX. A iniciativa de construção de um canal que ligasse o Oceano Atlântico ao Pacífico envolveu diferentes nações como Espanha, França e Estados Unidos; o grande responsável pela finalização do projeto.

O primeiro a considerar a ideia foi o rei espanhol Carlos V, que em 1534 ordenou um estudo para a criação de uma possível rota que atravessasse o Panamá. Após três séculos ocorreu a tentativa francesa: desta vez sob a coordenação de Ferdinand de Lesseps – engenheiro responsável pela construção do Canal de Suez, que liga o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho. Construir o Canal era uma forma de dominar a região e lucrar com o transporte de mercadorias, já que a América Central situa-se em uma região estratégica das rotas marítimas. Uma das grandes dificuldades de Lesseps era abrir um canal ao nível do mar, o que prejudicava o curso natural do rio Chagres, que corta diversas áreas da região. Era preciso que o rio fosse drenado, ação praticamente impossível apesar da grande avanço da engenharia francesa para a época, além de poder causar um grande impacto ambiental.  A fragilidade climática e social do país também foi um fator agravante: doenças como malária e febre amarela afetavam os trabalhadores, além das enchentes e desmoronamentos provocados pelas fortes chuvas faziam com que a construção do canal se tornasse um grande desafio. Após as adversidades e gastos astronômicos, a empresa francesa responsável pelo empreendimento fechou as portas após 4 anos de dedicação à obra.

Observando uma potencial fonte de lucratividade, o ex-presidente norte-americano, Theodore Roosevelt, firmou em 1903 um tratado com o Panamá que visava à construção de um canal interoceânico por meio do Istmo do Panamá – faixa estreita de terra que liga a América Central a América do Norte.  No mesmo ano os Estados Unidos compraram os direitos adquiridos pela Companhia Francesa do Canal do Panamá por 40 milhões de dólares e iniciou a construção do canal no ano seguinte, concluído após uma década, em outubro de 1913. O Canal foi administrado pelos Estados Unidos durante 20 anos após sua inauguração e passou pelas chamadas “parcerias administrativas”, também com apoio norte-americano. Somente em 31 de dezembro de 1999 sua administração foi transferida de forma exclusiva ao governo do Panamá.

Os 79,6 km de extensão do único canal da América Latina é um dos fortes impulsionadores do comércio mundial e tornou-se um elemento estratégico para avançar a economia do país e dos outros países da América Central, além de entrar para história como um dos grandes desafios da engenharia.

Para mais informações sobre o Canal clique aqui.

O vídeo abaixo mostra a travessia pelo Canal através de imagens da administração do Canal.

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Exposição Artistas Plásticos Argentinos Residentes no Brasil

Em sua oitava edição, a exposição Artistas Plásticos Argentinos Residentes no Brasil propõe uma reflexão sobre o período que culminou na independência da Argentina, marco histórico que completou 200 anos no dia 25 de maio.  As obras estão expostas na galeria do auditório Simón Bolivar, no Memorial da América Latina, em São Paulo e podem ser vistas até o dia 17 de dezembro, das 9h às 18h. A exibição conta com a curadoria de Oscar D’Ambrosio, mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp e integrante da Associação Internacional de Críticos de Arte.  

Entre os artistas escolhidos, estão argentinos radicados no Brasil e brasileiros que possuem algum laço familiar ou profissional com habitantes do país vizinho. O objetivo da mostra é incentivar uma reflexão sobre a importância da independência da Argentina, fato  que compõe a história de um dos países que esteve entre as dez maiores economias do mundo no início do século XX.  

Clique aqui para mais informações.

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Tempero pernambucano na história do rádio

Por Sara Campos

Não é só pelo humor que o sobrenome Casé é lembrado no Brasil. O avô da atriz Regina Casé, Ademar Casé, foi um dos pioneiros do rádio brasileiro. O documentário Programa Casé – O que a gente não inventa não existe –, dirigido por Estevão Ciavatta, mostra a trajetória do pernambucano de Belo Jardim que conquistou o rádio brasileiro e que incluiu o primeiro jingle genuinamente brasileiro – o da Padaria Bragança do Rio de Janeiro – além de lançar vários artistas como o sambista Noel Rosa e a cantora portuguesa Carmen Miranda.

Ademar nasceu em uma família pobre e mudou-se durante a adolescência para Caruaru.  Aos 17 anos mudou-se para Recife e posteriormente para o Rio de Janeiro, onde entrou no universo radiofônico inicialmente como vendedor de aparelhos de rádio da marca Philips. Após atingir sucesso nas vendas, decidiu alugar um horário em uma emissora de rádio: era o início do Programa Casé em 1932. Para financiar o programa, Ademar buscava anunciantes pelas ruas do Rio de Janeiro, além de mostrar uma grande habilidade em lidar com o mundo do showbusiness.  Por meio de depoimentos, incluindo os da família Caymmi, os de Braguinha e alguns do próprio Ademar em imagens de arquivo recheados de imagens históricas, o enredo mostra a trajetória de um nordestino de origem humilde que “tornou-se um caso raro de mobilidade social”, segundo as palavras da neta global.

Confira o trailer do documentário:

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5ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul

Idealizada pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência e realizada pela Cinemateca Brasileira, a mostra tem como objetivo promover a reflexão e o debate sobre a temática direitos humanos. Os filmes serão exibidos gratuitamente nas 20 capitais brasileiras: Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Maceió, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio Branco, Rio de Janeiro, Salvador, São Luis, São Paulo e Teresina. Todas as salas são preparadas para receber pessoas com deficiência.

Clique aqui para conferir a programação.

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Sabatina com Ingrid Betancourt

Por Sara Campos

Ontem pela manhã, no Teatro Folha, no Shopping Pátio Higienópolis, São Paulo,  o jornal Folha de S.Paulo sabatinou a ex-refém das Farc e atual senadora Ingrid Betancourt. O evento ocorreu por conta de seu livro, recém-lançado no Brasil, intitulado Não há silêncio que não termine- meus anos de cativeiro na selva colombiana (Editora Companhia das Letras).  A obra de 553 páginas “não apresenta trechos ficcionais”, garante Betancourt ao jornalista Fabio Victor. Para situar os acontecimentos de forma cronológica, a autora baseou-se em datas comemorativas, períodos onde sempre aconteciam fatos marcantes.  “Lembro-me que no dia das mães fizeram um bolo para comemorar a data”, relembra. Apesar dos traumas adquiridos após 6 anos de cativeiro, Ingrid afirma que perdoa os envolvidos e relembra o que via no ambiente do sequestro – um padrão de comportamento: ” os guerrilheiros eram muito jovens: tinham entre 13 e 18 anos. Muitos deles não chegaram a frequentar uma escola”.  Além dos depoimentos emocionantes sobre detalhes do dia-a-dia no cativeiro, Ingrid comentou sobre o surgimento do grupo guerrilheiro e sua base de formação: ” Apesar de ter uma base ideológica marxista, o marxismo funciona como um verniz para as Farc. Por uma questão de oportunismo, nos anos 70, os camponeses que formaram a guerilha tornaram-se comunistas para conseguir financiamento da União Soviética. Eu vi nas Farc um objetivo econômico e não político”, revela.  Ela destaca que o cenário atual da guerrilha não apresenta uma preocupação de refletir sobre política e reformas, mas que evidencia um latente desconhecimento sobre a realidade colombiana:  ” Muitos deles debatiam sobre projetos que já existiam na Colômbia”.

Ingrid falou sobre o envolvimento do presidente Hugo Chávez em seu resgate ” Serei eternamente grata ao presidente Hugo Chávez pelo meu resgate. Quando digo isso é pelo Chávez como pessoa humana, o que significa que não estou polarizando a minha opinião com base em um viés político”, alertou ao público da sabatina. A senadora fez críticas ao governo colombiano e destacou que “a Colômbia precisa de mudar sua mentalidade e que os colombianos devem aceitar a dor de outros colombianos”, referindo-se às críticas que recebeu da opinião pública após pedir uma indenização ao Estado.

Um dos pontos altos do encontro foi a descrição de Ingrid sobre o dia em que foi libertada. ” Toda vez que me recordo desse dia, lembro-me exatamente com a mesma emoção … um soldado veio até nós e nos disse: Somos do exército, vocês estão livres. Tinha pensado na chegada desse dia desde o primeiro momento que estive no cativeiro”, revela ao público visivelmente emocionada e aliviada pela situação fazer parte apenas das lembranças.

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